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Marcha para Jesus?


Sempre me chamou a atenção a expressão "Marcha para Jesus". Não se trata de uma crítica à fé cristã nem às pessoas que participam do evento, mas de um questionamento sobre o significado das palavras que escolhemos.

A palavra "marcha" carrega, historicamente, uma forte conotação militar. Marcham exércitos, tropas, soldados e grupos organizados em demonstrações de força. Quando leio os Evangelhos, porém, encontro um Jesus muito diferente dessa simbologia. Vejo um homem que caminhava ao lado dos pobres, dos doentes, das mulheres marginalizadas, dos pescadores, dos rejeitados pela sociedade e daqueles que eram considerados pecadores.

Jesus não fundou um exército. Não ocupou palácios. Não procurou alianças com imperadores nem com os poderosos de seu tempo. Pelo contrário, frequentemente confrontou as estruturas religiosas e políticas que oprimiam o povo. Seu reino, segundo suas próprias palavras, não era deste mundo.

Por isso, pergunto:

Será que a palavra "marcha" representa adequadamente a mensagem de Jesus?

Talvez outras expressões, como caminhada, encontro, peregrinação ou celebração, transmitissem melhor a imagem daquele que preferia sentar-se à mesa com os excluídos a desfilar ao lado dos poderosos.

Lembrando que é apenas uma reflexão.

Afinal, o próprio Evangelho mostra que Jesus não convocava multidões para demonstrações de força, mas para práticas de amor, justiça, misericórdia e solidariedade. Seu convite não era para marchar contra alguém, mas para caminhar ao lado de quem mais precisava.

Talvez a questão não esteja no evento em si, mas no simbolismo da palavra escolhida. E refletir sobre símbolos também é uma forma legítima de pensar a fé.

Padre Jerônimo Lauwen

A propósito, a história de padre Jerônimo Lauwen registra um episódio que traduz, de maneira prática, a essência do Evangelho. Ao chegar a um jantar preparado em sua homenagem, ele percebeu que à mesa estavam apenas pessoas de maior prestígio social da cidade. Diante daquela situação, pediu que a refeição não fosse servida enquanto as pessoas mais simples da comunidade também não fossem convidadas a ocupar seus lugares.

O gesto remete diretamente à mensagem de Jesus Cristo, que preferia sentar-se à mesa com os excluídos a caminhar ao lado dos poderosos.

Mais do que uma atitude de gentileza, padre Jerônimo deu uma lição de igualdade e fraternidade, mostrando que ninguém deve ser valorizado pela posição social que ocupa, mas pela sua condição humana.

Ao abrir espaço para todos na mesma mesa, transformou aquele jantar em uma demonstração concreta dos valores cristãos de acolhimento, respeito e inclusão.

Henrique Melo - Rede Sertão PB

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